Política de Desenvolvimento de Acervo

MISSÃO

A Biblioteca Comunitária das Gerais tem como objetivo de ser um ponto de cultura para a comunidade do bairro Califórnia focado no estímulo à leitura, que busca ser um espaço de leitura, cultura e acesso à informação.

Segundo o Manifesto da Biblioteca Pública IFLA-UNESCO (2022), uma biblioteca pública é uma porta de acesso ao local ao conhecimento, fornece as condições que ajudam a garantir “os diretos à educação e à participação na sociedade do conhecimento e da vida cultural da comunidade e que estejam acessíveis ao maior número possível de pessoas”. Diferente de uma biblioteca pública, mantida por um órgão público, uma biblioteca comunitária é uma ação criada pela própria comunidade onde a mesma está localizada.

O acervo da Biblioteca Comunitária das Gerais é composto prioritariamente por livros literários voltados para o o fomento à leitura através de coleções literárias clássicas, contemporâneas e de acordo com o bibliodiversidade.

CRITÉRIOS GERAIS DE SELEÇÃO

O processo de seleção determina o padrão, quantidade e qualidade da coleção, onde define os critérios para evitar que o acervo o se transforme em um agrupamento desajustado de documentos. Se baseia na necessidade de informação e os interesses dos leitores, tendo como critérios para a escolha do material:

  • Adequação do material ao perfil dos leitores;
  • Autoridade do autor e/ou editor, considerando a qualidade da obra a partir da reputação do(s) autor(es), editor ou patrocinador;
  • Atualidade, critério que garante que as obras incorporadas ao acervo são atualizadas;
  • Qualidade técnica;
  • Quantidade (excesso/escassez) de material sobre o assunto na coleção, devendo-se selecionar no máximo 2 (dois) exemplares de cada obra;
  • Custo justificado, devendo ser julgado se o custo da aquisição da obra é  suficiente para justificar o dispêndio de recursos, assim como a  incorporação de obras doadas ou permutadas justificam sua seleção, considerando custos do tratamento técnico, do espaço a ser utilizado, etc.;
  • Idioma: português. Em casos especiais serão selecionadas obras de referência em língua estrangeira;
  • Número de usuários potenciais;
  • Obras publicadas de interesse cultural e para a comunidade.

2.3. FONTES PARA SELEÇÃO

As fontes bibliográficas que orientarão os trabalhos da Comissão são:

  • Bibliografias gerais e especializadas de cada curso;
  • Sugestões dos usuários;
  • Sites, catálogos e listas de editoras e livrarias; 
  • Editores e livrarias;
  • Acervos de referências de outras bibliotecas.

3. AQUISIÇÕES

O crescimento de um acervo, seja ele no âmbito físico ou digital, se dá por meio da aquisição, que é um processo complexo que requer sensibilidade, conhecimento compartilhado e compromisso com a comunidade acadêmica, portanto:

[…] com a aquisição é que começa de fato a existir uma instituição destinada a preservar e divulgar as criações do conhecimento humano registradas em forma de livros, periódicos especializados, jornais, discos, filmes, vídeos etc. (ANDRADE; VERGUEIRO, 1996, p. 5).

Dessa forma, o planejamento para a formação e expansão do acervo precisa ser estabelecido e registrado como política dentro da instituição.

As formas de aquisição são: por compra, doação e permuta.

3.1. COMPRA

A Comissão de Gestão e Seleção de Acervo é a responsável por elaborar a lista de compras, dentro dos limites orçamentários destinados pela Universidade para a aquisição de novos materiais. Deve-se avaliar as sugestões dos usuários, do corpo docente e bibliotecários. 

As prioridades para a aquisição devem seguir a ordem:

  • Obras de bibliografias básica e complementar de cada disciplinas dos três cursos, formato físico e digital;
  • Reposição de material: recomposição do acervo de obras de grande demanda de uso que estão danificadas, extraviadas ou com o conteúdo desatualizado;
  • Assinaturas de periódicos digitais;
  • Mídias que visam à acessibilidade;

Após a seleção da lista de compras, a mesma será encaminhada para o Setor de Compras, que ficará responsável pelo processo técnico de cotação, compra e logística de entrega do material. Caso exista alguma inviabilidade da aquisição de algum exemplar ou assinatura, o Setor de Compras envia para a deliberação da Comissão, para avaliação e deliberação de alternativas.

3.2. DOAÇÕES

O recebimento de doações tem como objetivo ampliar a oferta de material e de assuntos pertinentes às coleções. Cabe à biblioteca esclarecer suas regras de doação para não deixar os usuários frustrados caso seu material tenha que ser recusado. Como afirma Vergueiro, “jamais se aceitaria como doação qualquer material que não iria adquirir caso se possuísse a verba para tanto.” (VERGUEIRO, 1989, p. 69).

Serão incorporadas ao acervos exemplares que:

  • supram falhas nas coleções, 
  • amplie o material sobre o assunto;
  • aumente a quantidade de exemplares disponíveis para o usuário (dentro dos limites de números de duplicatas estabelecidas) ou que amplie a reserva técnica;
  • não estão disponíveis comercialmente.

Todas as doações incorporadas ao acervo devem ser registradas e atribuídas um valor em moeda corrente no país para fins patrimoniais.

3.2.1. DOAÇÕES SOLICITADAS PELA BIBLIOTECA

Os pedidos de doações deverão ser formulados a instituições governamentais e privadas, entidades científicas, culturais, editoras, associações, entidades ou autores, preferencialmente de obras não comercializadas. 

Os pedidos devem respeitar os critérios de seleção da biblioteca.

Para as doações físicas será providenciado a logística do envio de material. Para as doações virtuais será solicitado o acesso para os usuários da biblioteca ou o envio do arquivo digital para incorporação do acervo.

3.2.2. DOAÇÕES OFERECIDAS À BIBLIOTECA

Os interessados em doar devem receber esclarecimentos gerais sobre a política de seleção. As regras básicas da doação devem ser fixadas em local visível para a consulta.

No momento da chegada da doação, o bibliotecário auxiliar deve fazer uma análise prévia dos exemplares. Caso seja detectado que algum exemplar não está de acordo com os critérios de seleção no conteúdo (Item 3.2), deve se recusar o recebimento, justificando e indicando outros locais para a destinação correta das obras.

Critérios para não recebimento de doações:

  • Obras que não fazem parte dos assuntos das coleções;
  • Obras danificadas, faltando páginas ou com folhas soltas;
  • obras infectadas por fungos ou insetos;
  • obras com conteúdo ultrapassado, exceto aquelas que possuam valor histórico para a instituição.

O doador deve preencher o Termo de Doação. A via original será destinada ao arquivamento da biblioteca e uma cópia será entregue como recibo ao doador. Deve estar explícito que, mesmo que a biblioteca aceite a doação, os exemplares passarão por uma segunda análise e que poderão ser destinados para a doação, permuta ou descarte. 

Os exemplares recebidos serão analisados pelo bibliotecário chefe, que determinará  a destinação final da doação:

  • Serão incorporação ao acervo materiais em bom estado de conservação que:
    • estejam de acordo com os ítens descritos nos critérios de seleção de acervo (Item 3.2), quanto a sua relevância, atualidade e número máximo de duplicata de exemplares no acervo.
  • Serão doado ou permutado com outras instituições, materiais em bom estado de conservação que:
    • possuam conteúdo que diverge dos critérios de seleção de acervo;
    • extrapolam o número de duplicidade de exemplares estabelecida;
    • estiverem inadequados aos assuntos das coleções mas que não foi detectada a sua inapropriação na avaliação inicial, no momento da doação. 
  • O descarte será feito quando:
    • não seja possível fazer a restauração do exemplar;
    • for detectado que o exemplar está contaminado com fungos ou insetos;
    • o material estiver em bom estado de conservação mas inadequado para a sua incorporação ao acervo e não conseguir ser doado ou permutado após o prazo de 6 meses;
    • Deve-se buscar o descarte ecologicamente consciente.

3.2.3. DOAÇÕES DE COLEÇÕES PARTICULARES E/OU ESPECIAIS

As doações de coleções particulares e/ou especiais serão analisadas por uma comissão especial, que fará um parecer avaliando o valor da coleção e a viabilidade técnica e financeira da biblioteca em absorver os exemplares. 

3.3 PERMUTA

A permuta consiste em um acordo preestabelecido entre instituições no compromisso mútuo de fornecimento de publicações (DIAS; PIRES, 2003). Todo ano uma lista de instituições nacionais e internacional deve ser elaborada e atualizada, trazendo suas respectivas publicações, que sirva de referência para o contato e negociações entre as instituições.

São as diretrizes para as aquisições dessa modalidade: 

  • Aquisição de publicações não disponíveis comercialmente;
  • Troca de obras em duplicata excedente;
  • Todo o material deve ser compatível com as coleções da biblioteca;
  • Seguir os mesmos critérios de seleção;
  • Ser aprovada pela Comissão de Gestão e Seleção de Acervo.

4. DESBASTAMENTO

Vergueiro (1989, p.74) faz uma analogia entre coleções e árvores para conceituar desbastamento, onde “ambas, para atingirem sua plenitude do desenvolvimento, necessitam ser constantemente desbastadas”. O desbastamento faz parte da política que considera a retirada de documentos sem uso, danificado ou inadequado para a coleção. Desta forma, abre-se espaço para novos materiais que atendam de forma mais eficaz à necessidade do usuário. Nos acervos digitais, a preocupação com o espaço físico passa a não existir, havendo apenas a necessidade de se avaliar a capacidade de armazenamento dos servidores.

O desbaste pode ser feito por meio de:

  • remanejamento físicos: envio dos materiais para o depósito ECI-UFMG ou para acervos especiais;
  • remanejamento digital: descolamento de arquivos digitais entre os diretórios dentro do servidor;
  • descarte físico: retirada definitiva do material, sendo feito a baixa no sistema. Deve-se buscar o descarte ecologicamente consciente através de permuta ou doação;
  • descarte virtual: exclusão dos arquivos digitais do servidor.

É necessário preencher relatório com justificativa para o desbaste, sendo aprovado pela Comissão de Biblioteca, e posteriormente dado baixa no sistema. 

Critérios de desbastamento em espaço físico:

  • Desatualização: obras que se tornam desatualizadas serão desbastadas após a aquisição de edições recentes. Deve-se manter, no máximo, dois exemplares, armazenados em depósito como valor histórico;
  • Inadequação: obras listadas pelo corpo docente como inadequadas para o programa de ensino e pesquisa da universidade; 
  • Desuso: exemplares não utilizados nos últimos 10 anos;
  • Desgaste: obras que estão em condições físicas irrecuperáveis.

Critérios de desbastamento em espaço virtual:

  • Desatualização: obras desatualizadas serão removidas para o diretório de acervo de pesquisa histórica e substituídas por arquivos atualizados;
  • Inadequação: obras listadas pelo corpo docente como inadequadas para o programa de ensino e pesquisa da universidade serão removidas para o diretório de pesquisas históricas. Obras inseridas sem seleção prévia serão excluídas;
  • Arquivos corrompidos: serão deletados do servidor os arquivos defeituosos que não possam ser substituídos ou recuperados.

5. AVALIAÇÃO DE COLEÇÕES

A avaliação de coleções é “a etapa do processo a diagnosticar se o desenvolvimento da coleção está ocorrendo da forma prevista ou não” (VERGUEIRO, 1989, p. 83). Em função dos objetivos da biblioteca, do estudo de comunidade e da usabilidade do acervo, a avaliação dará à biblioteca uma visão geral de todas as etapas e se elas estão sendo realizadas de forma coerente com a missão da instituição. Visa manter um acervo atualizado, completo e adequado às necessidades dos usuários da Biblioteca da CI, evitando materiais obsoletos, em duplicidade ou lacunas de referências essenciais para a área de sua especialização. A avaliação do acervo dará suporte técnico para traçar as diretrizes de futuras aquisições e de descarte, sendo realizada pelo corpo técnico da biblioteca e da comissão de bibliotecas.

Anualmente se fará o inventário para a conferência dos itens que compõem o acervo da biblioteca, verificando a integridade do material e o controle patrimonial. O inventário bibliográfico acontecerá durante o recesso do final de ano.

As metodologias usadas serão:

  • Avaliação quantitativa (tamanho e crescimento): através de relatórios estatístico emitidos pelo sistema de gestão de acervo será feito a avaliação em relação ao tamanho total e o crescimento do acervo:
    • Será feito a verificação dos tipos de materiais por data de publicação, por área de assunto e por área por curso. 
    • Será feito o levantamento do número de usuários (alunos da graduação, alunos da pós-graduação, docentes, estudantes independentes) em relação ao volume do acervo.
  • Avaliação qualitativa: análise dos materiais bibliográficos em relação a seu conteúdo:
    • Checagem de lista, catálogos e bibliografias de eventos do setor para comparação com o acervo e confecção de lista de referência para potenciais aquisições;
    • A cada três anos, o método impressionista será realizado, contratando uma comissão de especialistas para avaliar e emitir parecer sobre o acervo.
  • Fatores de uso: avaliação através do uso dos materiais pela comunidade.
    • Uso do sistema de gestão do acervo para emissão de relatórios que informe dados quanto ao uso e circulação de materiais para avaliar a adequação e a exatidão dos materiais

A avaliação seguirá os critérios de:

  • distribuição percentual do acervo por área: biblioteconomia, arquivologia e museologia;
  • quantidade de exemplares por aluno matriculado;
  • estatísticas de uso dos materiais bibliográficos;
  • análise das bibliografias básicas e recomendadas, tendo como referência os projetos pedagógicos dos cursos.